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Tendo cantado a cigarra durante o Verão, Apavorou-se com o frio da estação. Sem mosca ou verme para se alimentar, Com fome, foi ter com a formiga, sua vizinha, Pediu-lhe alguns grãos para se saciar, Até vir a época mais quentinha! "Eu pagarei", disse ela, "Antes do Verão, palavra de animal, Com juros e o capital." A formiga não gosta de emprestar, É um dos seus defeitos. "O que fazia amiga cigarra no calor de outrora?" Perguntou-lhe com alguma esperteza. "Noite e dia, eu cantava, Sem querer dar-lhe desgosto." "Cantava? Que beleza! Pois, então, agora dance!"
La Fontaine | 
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